"Sou Pierrot, sem destino,
vazio d'alma, um cretino,
dorido de saudade,
vagueio, só pela cidade.
Procuro-te, Colombina,
teu sorriso de menina,
que me rouba o coração,
ou talvez sim, quiçá não.
Desdenho do Arlequim -
o fantasma do grotesco,
vil, trajado de burlesco -
a quem amas, ai de mim!
Pierrot, Polichinelo,
Bobo, palhaço, capelo,
esgar de riso amarelo,
maldição, azar, flagelo.
Pierrot, louco amante,
vadio, ladrão, que tratante!
Sou quem suspira de dor
por Colombina, amor.
Pierrot, que ri, chorando,
patético ser do nada,
p'la cidade caminhando,
em busca de sua amada!
Triste Pierrot, que ri
sangue no branco do rosto,
e as lágrimas de desgosto,
de quem beijar, nunca vi!"
Cyrano de Bergerac
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