sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

"...onde já se viu o mar apaixonado por uma menina? Quem já conseguiu dominar o amor? Por que que o mar não se apaixona por uma lagoa? Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar"
Quando a vi pela primeira vez o mar estava calmo. Da areia podia ver sua pele branca, que sob o sol brilhava. Tinha os cabelos cacheados soltos e um sorriso lindo no rosto.
A brisa que soprava do mar bagunçava seus cabelos, acariciando sua pele exposta pelas roupas curtas.
Com os braços abertos, tentava abraçar o mar. O mar, por sua vez, agia como se desejasse alcança-la também: cada vez que sorria, uma onda maior arrebentava na areia. Cada vez que dançava com o vento, o mar ficava ainda mais furioso.
Que coisa estranha. O mar parecia com ciúmes da brisa morna. Parecia com ciúmes daquela menina com os pés na água.
O jeito como o mar agia só podia ser paixão. E é claro: pela menina. Era compreensível. Impossível não se apaixonar por aquela beleza e inocência. Impossível não se apaixonar por aquelas formas firmes e ao mesmo tempo suaves.
E no fim do dia, depois de recolher as conchinhas que o mar mandava para a areia, ela me notou. E sorriu daquele jeito que tinha sorrido para o mar.
E assim como o mar, me apaixonei perdidamente. Me apaixonei por aquele sorriso, por aquele corpo, por aqueles olhos. Olhos escuros, negros como a noite.
Tornei-me prisioneiro daquela boca. Virei escravo do amor de Ana. Ana. Minha bela Ana.
Hoje, depois de tanto tempo, ainda não sei se o mar me perdoou por ter levado Ana. Ela é e sempre será minha. Nossa história nunca acabará, pois a amo mais do que tudo. Mais do que a mim mesmo.
A única história que ficou para contar é sobre o amor do mar por uma menina. O amor do mar por Ana.
FIM
Débora Helene

Nenhum comentário:

Postar um comentário