terça-feira, 30 de junho de 2009

Os Insetos Interiores - Fernando Anitelli (TM)

"...a futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos.
Nocivos.
Poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,d as mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia
o veneno se refugia no espelho do armário - lembrou um deles.
o ninho deve estar infectado! – lembrou outro.
Antes do sono: o beijo de boa noite.
Antes da insônia: a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa: a família.
São soníferos...
Chagas sem curas.
Não reproduzem. São inférteis, infiéis, infertebrados. Arrancam as cabeças de suas fêmeas.
Cortam os troncos
Urinam nos rios
E na soma dos desagravos, greves e desapegos, esquecem-se de si. Pontuam-se.
A cria que se crie!
A dona que se dane!

Os insetos interiores proliferam-se assim... na morte e na merda.

Seus sintomas?U m calor gélido e ansiado na boca do estomagoa sensação de... ? O que é mesmo que se passa? Um certo estado de humilhação conformado parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada que romper com as correntes de preguiça e mal dizer
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim...
Descompromissados com o próprio rumo, desprovidos de caráter e coragem, desatentos ao próprio tesouro...
Caem.

Desacordam todos os dias
não mensuram suas perdas e imposturas!
Não almejam.
Não alma.
Já não mais amor.

Assim são: Os insetos interiores"

Poesia retirada do álbum: Segundo Ato, do Teatro Mágico.
Visite o site da banda: www.oteatromagico.mus.br